É preciso salvar a liderança?

Não. A liderança salva a si mesma. E, antes que seja tarde demais, convém algumas explicações…

Liderança é o fenômeno das relações humanas que descreve a influência de um sobre outro(s). Bem genérico assim. É isso. Este é o conceito.

Biólogos e antropólogos dizem que a espécie homo sapiens se desenvolveu, entre outras coisas, devido à liderança. Grupos com um líder sobreviviam mais facilmente nas pré-históricas savanas.

Psicanalistas e psicólogos, acompanhando Freud, indicam a projeção da relação entre pais e filhos na interação dos adultos em todo grupo humano. O inconsciente é mais forte, e persiste.

Sociólogos e cientistas políticos confirmam a movimentação das pessoas em função de ideias e de quem as representam. A anarquia só funciona quando um bom líder anarquista organiza seus prosélitos.

Orientação, modelos, referências, ajuda, direção, apoio, estímulo, motivação, correção, explicação, todas essas coisas acontecem ou não acontecem na dinâmica dos grupos? Antes que seja tarde demais, vamos ver as coisas como as coisas são.

A pretensão de que podemos (ou devemos) prescindir de líderes é, ou ingênua e infantil, ou intelectual e teórica. No primeiro caso vejo a nítida imagem do adolescente, rebelde, mais preso à sua mimada condição de sustentado pelos pais, reclamando de sua autoridade – não quero que ninguém me oriente! No segundo caso visualizo aqueles diletantes que pouco fazem de concreto e divagam na subjetiva câmara de seus interesses mais egoístas – não é necessário orientação!

Todos estamos cansados de corrupção, autoritarismo, burocracia, privilégios, tiranias. Acontece que sintoma não indica a inexistência de um estado natural saudável, mas justamente a sua existência! Se algo adoece é porque existe. Os maus líderes e os liderados submissos são evidência da liderança.

O que, sim, é preciso, é fazer o possível para que os líderes sejam honestos, responsáveis, eficazes, bondosos, honrados, humildes, dedicados, e tudo o mais. E se lhes dão o rótulo de C-level, Head, Chefe, Diretor, Círculo Externo ou qualquer eufemismo que sejam capazes de criar, não importa. Na prática, todos queremos pessoas boas e competentes. Especialmente quando essas pessoas nos influenciam tanto.

A vida esboça uma série de eventos e fatos que, sem isentar as ambíguas interpretações, oferecem o suficiente material histórico para objetar ou aceitar a realidade das coisas. E a realidade ainda é, penso, o fundamento do dia a dia.

(E caso queiram argumentar que o imaginário é que fundamenta as nossas vidas, eu vou ter de concordar. E ali estará, igualmente, o arquétipo do líder e dos liderados, no inconsciente coletivo da raça humana).

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Não, não precisamos salvar a liderança. Temos de salvar é a compreensão das coisas. Antes que a realidade seja tarde demais.

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