A mínima exigência

Há muitas reclamações no mundo. Sem dúvida. Existem opiniões e solicitações de todos os lados. Exige-se que as organizações e a sociedade sejam mais livres, mais justas, mais corretas.

Se sairmos na rua (ou, como faço eu, nas empresas) a perguntar sobre o ponto de vista a respeito do mundo – valores, princípios, buscas, aspirações, sonhos – descobrimos uma leve (mas terrível) incongruência.

Sei, aceito e concordo que, no fundo, a maioria tem boa intenção. E a boa intenção é, quem sabe, a mãe das esperanças. E, no fundo, todos queremos mais respeito, bom senso e humanidade.

Acontece que todos querem que “os outros” sejam mais morais. A exigência por caráter e pela retidão fica sempre no terreno alheio… No fundo queremos um mundo melhor, mas na superfície percebemos, às vezes, o desvio.

Um líder pode, claro, pedir moralidade. Todo líder tem o direito de ser um moralista. Desde que, evidentemente, ele seja moral. Primus inter pares. Os líderes não definem a liderança sozinhos, entretanto sua atitude é o primeiro dos vetores.

A confusão instaura-se quando aqueles que professam a melhor conduta eximem-se dela. Obviamente isto não é intencional, é inconsciente. Mas não importa. Todo empresário, executivo, gestor, está proibido de fugir da responsabilidade de dar o exemplo do que pretende para o seu time. O argumento não é só ético, é técnico também.

No exercício da coordenação de uma equipe, a maior parte da mensagem é transmitida na convivência, através de olhares, tom de voz, gestos e trejeitos que são assimilados sem pensar. Não há como liderar um grupo de pessoas, efetivamente, sem dar o exemplo do que se quer e espera daquelas pessoas.

É difícil. Ninguém falou que era fácil. (Quem falou mentiu).

As reclamações chegam ao máximo quando se pede que a nanotecnologia salve vidas, quando se espera que o processador quântico facilite as análises de big data ou que os aceleradores de partícula deem as respostas sobre a origem do universo.

A mínima exigência é a bondade e o esforço por atuar, no dia a dia, como uma pessoa boa. Esperamos isso dos nossos líderes, façamos isso cada um de nós quando estamos à frente de um grupo.

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Podemos e devemos, sim, reclamar por uma moralidade básica. Mas reclamemos, primeiro, a nós mesmos, pela nossa conduta. Sejamos bons.

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