Transformando a liderança

Se a opinião de Barbara Kellerman, especialista em liderança de Harvard, conta, então temos de admitir: a liderança precisa se transformar.

Já tem alguns anos que li O Fim da Liderança (o livro é de 2012) onde a autora narra o histórico, desde a Revolução Gloriosa até os nossos dias, que descreve como a autoridade foi se diluindo. Somado à perda de valor intrínseco do líder, os liderados foram desenvolvendo maior participação, ou maior ânsia de participação. E, terceiro ponto, a tecnologia expõe os líderes e favorece a voz dos liderados. Neste novo este cenário, os grandes personagens dos últimos séculos possivelmente teriam sérias dificuldades para liderar. Talvez Carlyle tivesse que reescrever seus argumentos…

Mas existe uma outra tese: a de que a essência da liderança nunca muda. Deste ponto de vista, nem Napoleão nem Churchill teriam dificuldades em gerenciar uma startup. É como aquela discussão sobre se o Pelé seria o craque que fora, se jogasse futebol hoje – é claro que seria, pois ele também jogaria diferente, ele também se adaptaria. O craque é craque porque não se limita pelo contexto, adapta-se prontamente.

Tem dificuldade de se adaptar aquele que não tem um referencial próprio. É, portanto, a carência de uma identidade clara que impede a transformação. Um bom líder não se corrompe, se adapta. E são coisas completamente diferentes, como a luz e a escuridão.

Hoje ninguém mais aguenta a corrupção, o autoritarismo, a burocracia. Mas pouco se pergunta sobre a origem de tudo isso. E eu suponho que seja justamente a má liderança!

Se consideramos que transformar é provocar uma significativa mudança na forma, sem alterar a essência, podemos imaginar que a necessidade de transformação é justamente por que se perdeu o essencial – e precisa ser resgatado.

Seja como for, como liderados, queremos seguir pessoas boas e competentes. Não é questão de rebeldia ou anarquia, mas de recuperar o conceito original de aristocracia (o governo dos mais virtuosos). Afinal, quem não gostaria de trabalhar na equipe de um líder bom, justo e verdadeiro?

A própria Bárbara Kellerman sugere, em seu livro, que talvez Platão e Confúcio tenham mais a ensinar sobre a formação de bons líderes do que as atuais universidades.

Precisamos, sim, transformar a liderança. E isso implica em considerar a nova ciência dos sistemas adaptativos, encarar os fenômenos a partir da lente da complexidade, não negar o contexto de mudanças aceleradas do século XXI e tudo o mais. Porém, o ser humano continua sendo muito parecido em sua natureza íntima.

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Precisamos transformar a liderança não para acabar com ela. Temos de reivindicar o que é apropriado para as sociedades humanas, isto é, uma hierarquia saudável e baseada mais na luminosidade do que na escuridão.

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