Vencer o tempo

A superlativa vitória – imortalidade, atemporalidade, perpetuidade. Pessoas buscam não morrer. Ideias querem eterna relevância. Organizações pretendem perdurar. Mas afinal, como vencer o tempo?

Tenho atendido clientes de consultoria que se afligem com as mudanças. Há os que pedem ajuda para se adaptar ao novo mundo dos negócios, pois não sabem como solucionar os atuais desafios. Há também os que pedem ajuda para perpetuar os valores da empresa que conseguiu superar todos os desafios (até aqui). Constato que estes empresários estão diante do grande vilão da história: o tempo.

Como Cronos que engole todos os filhos, ou como o “Vento” de Érico Veríssimo que varre todas as coisas, o inimigo inexorável parece apresentar-se inevitavelmente. Mais cedo ou mais tarde. Ainda aquele que ganha todas as batalhas terá de se defrontar com este absoluto adversário.

A mais antiga epopéia registrada por escrito não é nem os Lusíadas, nem a Odisséia, nem o Ramayana. É na antiga Suméria que se encontra o mito de Gilgamesh, o herói que busca a imortalidade. São milênios e ainda estamos flertando com essa intenção.

Aos amantes da inovação e da tecnologia, parece que a ânsia se reveste de romantismo… querem mudar tudo no desespero de se adequar aos novos tempos. Para estes, todo o novo é melhor do que o velho.

Aos reacionários presos ao passado, o sonho se revela numa mera fantasia…. os tempos mudam mesmo, não adianta ficar apegado ao que já foi. Aqui, todo o velho é melhor do que o novo.

Acontece que temos de diferenciar entre essência e estrutura. A estrutura precisa se transformar constantemente. Se não for assim, ela se enrijece e impede o potencial do negócio. Já a essência, por definição, se afirma mais e mais, numa autopoiese organizacional que pode ser compreendida ao estudar a história das empresas que se perpetuam.

Para o titã absoluto, o tempo, não existe o velho e o novo. Para ele não há distinção dentro da sua própria substância. Talvez exista o verdadeiro e o falso. Ao passar os anos, fica mais fácil distinguir entre o bom e o mal, entre o certo e o errado.

O que não é essencial se perde para revelar o verdadeiro. Neste sentido, o tempo corre a nosso favor. Sempre.

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Mas quem sabe o milagre da imortalidade não seja justamente a aceitação do que vai morrer para, então, identificar-se com o atemporal? Desidentificar-se do que morre já é imortalizar-se.

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