O logos do estrategista

No princípio era o verbo… Eram três verbos, na realidade. Entender, escolher, executar. Proclamados um depois do outro, assim nasciam as estratégias. Fiat lux!

No atual mundo VUCA* (volátil, incerto, complexo e acelerado) a usual linearidade dos processos de planejamento empresarial cedem espaço (enfim!) para uma maior circularidade de pensamento.

A estratégia de negócios inclui três momentos: entender a situação, escolher objetivos e linhas de ação e, por fim, executar o plano. O logos do estrategista limitou-se, durante muitas décadas, aos verbos mencionados, cumprindo com o rito sequencial que se repetia anualmente. Usando análises SWOT, matrizes de crescimento, diagnósticos PEST etc, nós, consultores, junto com os executivos, buscávamos entender as circunstâncias competitivas do negócio. Em seguida, para escolher as diretrizes para os próximos cinco ou dez anos, desenhávamos mapas estratégicos ao estilo daqueles popularizados por Norton e Kaplan, ou mesmo, mais antigamente, desdobrávamos os macro-objetivos em planos táticos. E, para concluir o trabalho, chegando a hora de executar a estratégia, realizávamos checagens trimestrais para acompanhar os indicadores e “corrigir” as ações.

A dinâmica atual exige outros três verbos. Associados aos antigos, que não deixam de existir, os novos atualizam e expandem o potencial do estrategista. É uma soma que permite a multiplicação.

Hoje os estrategistas precisam, além de entender o que está acontecendo (presente e passado), explorar novas possibilidades (presente e futuro). Não podemos nos limitar a projetar nos próximos anos o que acontecera nos anos precedentes. Da mesma forma, é fundamental observar outros negócios nascentes (sim, as startups, sempre elas), mesmo que nem sequer tangenciem o nosso. Assim, a primeira etapa continua valendo, só que com muito mais perspectiva sobre tempo e espaço.

Tomar decisões continua sendo, obviamente, necessário. Mas além de escolhas, agora o estrategista também vai espreitar possíveis linhas de ação que ou não podem ou ainda não devem ser assumidas. Ou por falta de informação, ou pelo timing. A espreita “estica” a decisão e possibilita maior abrangência de opções para a empresa. É como se ao invés de uma linha de ação, optássemos por um círculo de ação.

A execução tampouco pode ser esquecida. A estratégia só cumpre com sua meta, o êxito, quando é posta em prática. Só que agora precisamos incluir outra forma, menos waterfall e mais agile: vamos experimentar práticas e iniciativas, ao estilo de protótipos e produtos mínimos viáveis. É a era da interação e da iteração.

Vejam que agora o estrategista agora precisa dominar seis e não somente três verbos: entender (explorar), escolher (espreitar) e executar (experimentar). E para quem pensa que seria só palavrório, um lembrete: o sétimo “E” é o próprio estrategista com sua liderança e protagonismo. Isso não mudou nem mudará nunca. Sem pessoas comprometidas, nada acontece.

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Mas será que Alexandre, Carlos Magno, Napoleão, Churchill, entre outros já não falavam essa língua dos 6 Es? Eu até acho que sim. Para mim, os grandes estrategistas sempre foram capazes de pronunciar a estratégia como um todo. De qualquer forma, hoje o mundo VUCA não possibilita, mas exige a linguagem completa.

*VUCA = Volatile, Uncertain, Complex, Accelerated.

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