Mais bússola que mapa

Seth Godin, em um post no seu blog, ano passado, comentou que mais interessa para os dias de hoje uma bússola (compass) do que um mapa. Pode ser mesmo. Para acompanhá-lo, penso em dois argumentos.

Primeiro, a respeito do ambiente externo. A sociedade pós-moderna, a economia pós-industrial, o futuro do trabalho, os novos modelos de negócio, tudo isso leva a crer que o mapa atual está mudando tão aceleradamente que quando vamos consultá-lo já estamos atrasados. É essa a sensação de muitos empresários. É como aquela história de queimar o business plan. Num cenário em constante mudança, elaborar planos de longo prazo é perda de tempo.

Segundo, quanto ao ambiente interno. A organização típica do século passado está tão lenta e pesada que não consegue se atualizar a tempo. Perde o timing. Dinossauros com esqueleto (estrutura organizacional) gigantesco, com escamas (indiferentes ao cliente) espessas e cauda reptiliana (apego ao passado) longa demais, não se adaptam. Os velhos ritos de planejamento fechado para o mundo já não servem.

A bússola, independente das circunstâncias, aponta sempre para o norte. Ou seja, com ou sem mapa, com mapa atualizado ou defasado, a bússola é guia leal para orientar as decisões. Contudo…

…para quem sabe aonde quer ir.

…para quem sabe quais são os valores essenciais.

…para quem tem um propósito claro.

…para quem se aventura a assumir riscos em prol das suas convicções.

Pois, afinal, do contrário, até a bússola pode girar loucamente, como quem está num dos misteriosos sítios de Tiahuanaco. O magnestimo tem seus efeitos. Seja lá o que for, o efeito de um forte campo magnético interfere até na orientação para o verdadeiro norte.

A atitude interior tem supremacia sempre. Só que ela tem que existir! Promulgar frases bonitas que não têm coerência com a prática gerencial torna as empresas ridículas – os colaboradores não colaboram, os clientes fingem que compram pelo slogan, os acionistas calam sobre o que não consta no bottom line.

Agora, prescindir de um bom cartógrafo, quem o faria?

É que o bom cartógrafo dos dias de hoje tem que rever as fronteiras e relevos com mais frequência. Só isso. Eles ainda possuem seu trabalho garantido. Ainda se gasta bastante em pesquisa, consultoria, análise e tudo o mais. Em tempos de GPS, o mapa pode ser mais instantâneo.

As lideranças que se comprometem com o futuro da gestão não caem na armadilha superficial da substituição dos fundamentos. Reflete-se sobre os fundamentos. Renova-se-os. Mas não abrimos mão deles. 

—-

Ninguém vai para o mato sem bússola. Ninguém abre mão de um mapa. Na selva do mercado, ficamos com ambos, embora a primeira possa, sim, ser prioridade.

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