Follow the money?

A frase popularizada pelo filme Todos os Homens do Presidente sugere que a corrupção deixa um rastro que leva aos verdadeiros corruptores. Se invertemos a frase, invertemos também a lógica. E isso serve bem para uma gestão baseada em propósito e valores. Ao invés de seguir o dinheiro, que tal deixar o dinheiro segui-lo?

Ora, se fazemos as coisas com verdadeira paixão, com total dedicação, inteligência e disciplina; melhorando sempre, aproveitando os erros como aprendizado, qualificando-nos e qualificando nosso trabalho; como poderíamos ter problemas financeiros? O lucro segue o trabalho bem feito.

David Maister, o guru dos serviços profissionais, em uma entrevista para a Dutch Magazine* em 2002, afirmou que se queremos aumentar o dinheiro, temos de valorizar as pessoas e os clientes. O dinheiro vem por consequência.

O consagrado David Bower, ideólogo da McKinsey, preocupa-se na década de 90 com os altos ganhos dos consultores**. Sentia que a cobiça poderia pôr tudo a perder, já que uma empresa de serviços profissionais deve estar dedicada a desenvolver conhecimento e servir incondicionalmente os clientes.

Sem a fama de ambos, eu repito essas afirmações para nossos clientes de consultoria. Insisto, sempre que posso, de que se há algo errado com o resultado, temos de buscar a causa fora da dimensão financeira propriamente dita.

Os negócios intensivos em conhecimento são naturalmente lucrativos – os custos são relativamente baixos e os honorários crescem com o tempo (experiência, especialização, habilidades). Assim, se você está preocupado com os números, é hora de deixar de olhar para eles e dar ênfase ao que realmente importa.

É certo que a equação econômico-financeiro pode ter de ser revista. Mas, sabem? Raramente eu encontrei isso nos nossos clientes. Quase sempre a causa do problema está em liderança, melhores serviços, diferenciais, posicionamento, entre outras coisas não numéricas.

Don’t follow the money. Let the money follow you!

—-

Fico assustado quando percebo mais ganância do que ambição. É sutil a diferença. Mas ela existe e pode, sim, pôr tudo a perder.

Se você é sócio de um escritório de serviços profissionais, fique atento: a cultura do seu negócio tem de promover o lucro como efeito do que deve ser feito. E, se for muuuuito bem feito, dará bons lucros. Concentre-se nisso, então.

 

*”To make the most money, you must deliver superior value to the marketplace, and to deliver superior value, you must have an excited, energized, enthused, driven, committed, ambitious, passionate workforce. To achieve this, you must have individual managers with emotional intelligence and interpersonal and social skills who know when and how to exhort, critique, inspire, challenge, compliment, nag and, above all, manage emotions”.

**Nos Bastidores da McKinsey, livro de Duff McDonald sobre a história da empresa.

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