Casa da sabedoria

Al-Mansur funda Bagdá em 762, tornando a cidade a nova capital do mundo muçulmano. Ali surgiria em seguida a Casa da Sabedoria, Bayt al-Hikma, biblioteca e colégio de traduções onde reunir-se-iam filósofos gregos, árabes, persas, hindus, ao longo de muitos anos. A escola impulsionou o desenvolvimento do califado abássida, chegando a ser o principal período de alta cultura dessa civilização.

Promover o conhecimento garante o resto. Bem, penso que antes disso vêm os princípios éticos universais. Mas depois, o conhecimento. E dele vêm radialmente todas as luzes necessárias para clarear mentes e corações. As mentes ficam mais inteligentes e menos fanáticas, os corações ficam mais amorosos e menos rancorosos.

Um tema que está na moda é o das cidades do conhecimento, knowledge cities. Na verdade, não é tão moderno quanto se pensa. Atenas, Roma, Alexandria, Constantinopla, Bagdá, Florença, entre tantas outras urbes do mundo antigo, já deixaram evidente a relevância do conhecimento. Aí está o principal vetor para o desenvolvimento socioeconômico.

O antigo e o moderno. Muitas coisas antigas são esquecidas. Depois voltam pela lembrança natural da imortalidade do clássico ou então pela insistência forçada da dor que os erros contemporâneos propiciam. Muitas coisas novas são meramente a reencarnação de ideias atemporais. Não seria mais esperto buscar aprender sobre elas?

O desenvolvimento deve ser sistêmico, não somente econômico. Deve ser holístico mesmo. A integridade do ser humano só é preservada quando há integridade na cultura (e na educação). É preciso consciência para crescer. (Desenvolvimento sem consciência nem existe, na verdade.)

Trazendo a imagem para o pequeno mundo organizacional de cada negócio, onde sócios e líderes podem se responsabilizar e influenciar os acontecimentos diretamente, que tal investir mais em conhecimento e menos em “coisas”? Se as pessoas são o principal patrimônio do escritório, por que não mobilizar sua inteligência para que daí surja o resto?

Tá certo que é um pouco demais comparar nossos modestos escritórios à Casa da Sabedoria, mas podemos ao menos nos inspirar nessa ideia. Reunindo profissionais de diferentes áreas, com boa liderança e inteligência estratégica, geramos o contexto necessário para que o negócio se desenvolva sistemicamente.

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E quem sabe possam surgir aos poucos alguns feitos memoráveis, deixando uma marca impactante a quaisquer olhos, como aquelas belas cúpulas da arquitetura do oriente médio que se erguem nas alturas, desafiando a pequenez.

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