Autopoiese do escritório

Diretamente da biologia nos vêm o termo autopoiese, cunhado pelos chilenos Maturana e Varela, que descreve a capacidade de um sistema vivo se produzir a si mesmo, mantendo sua identidade apesar das interações com o ambiente. Daí a teoria de sistemas dá um salto. Agora os sistemas não são abertos ou fechados, mas simultaneamente abertos e fechados. Luhmannn, posteriormente, leva o conceito para as organizações e demonstra como as decisões e a comunicação entre as pessoas promove a inteligência social que vitaliza o conjunto.

Na GrandiGaray costumamos insistir com nossos clientes sobre a importância da identidade do escritório. Recomendamos sempre para que nunca se esqueçam de seu DNA, sua singularidade. Mediante uma série de ações gerenciais, pode-se perpetuar a consciência de quem somos, de onde viemos e para onde estamos indo. Lembrar disso é preservar a vida do escritório. Esquecer-se é a morte.

Os sócios devem custodiar a identidade do negócio. Observando a dinâmica do mercado junto com as demandas organizacionais, são eles que podem preservar a vitalidade do conjunto. Os líderes devem orientar constantemente – com decisões e com clara comunicação – os valores e a visão. Não se limita unicamente a um exercício de planejamento estratégico. Trata-se de uma cotidiana atenção (memória) lutando contra a entropia (esquecimento).

Um sistema vivo não pode ser organizado mecanicamente. Procedimentos ajudam, mas não suprem toda a necessidade das equipes de trabalho. Se a comunicação é a “operação social genuína”, parafraseando Luhmann, melhor é assumirmos sua vital importância para a condução de um negócio intensivo em conhecimento. Uma organização de serviços profissionais precisa de gestão humana. E a humanização da gestão passa por dar mais importância às pessoas e suas conversações do que às regras escritas e os fluxogramas. Estes últimos só servem de apoio.

Essencial mesmo para um sistema vivo é aquilo que lhe permite a manutenção da sua vida. Nas células, se nota a autopoiese na reprodução das organelas dentro do citoplasma. Nas organizações, temos de reproduzir o comportamento profissional dentro da cultura do negócio. A inteligência do sistema está em interpretar e selecionar a informação que lhe chega do meio externo e também a que se processa no seu local próprio.

Vida ou morte! Grita um general no campo de batalha. Inteligência ou burrice, sussurra o manager no ambiente de trabalho. Portanto, vida longa aos escritórios profissionais!

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Há comunicação no seu escritório? Como são tomadas as decisões? Existe interação com o mercado simultaneamente ao exercício colegiado dos sócios e líderes? Atenção: se o seu negócio não apresenta as características de um sistema vivo, cuidado, pois em breve pode mesmo deixar de estar.

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