Mozart e Rousseau

Escuto Mozart (bastante!), mas não não leio Rousseau (li só algumas linhas do Contrato e outras do Emílio). Independente do meu gosto pessoal pelo autor da Flauta Mágica e do meu desinteresse pela literatura de um dos famosos iluministas franceses, ambos são exemplos da desinformação a que se pode ser alvo na história. Constatei isso neste final de semana, ao assistir duas palestras sobre estes personagens.

Há muitas fantasias sobre a personalidade de Mozart. Quando se lê suas cartas, pode-se verificar o carinho que tinha por seu pai, por exemplo, e constatar que foi seu mestre, do início ao fim da vida. Muito diferente do que se vê no filme Amadeus, o gênio da música era um gentleman, muito compenetrado no seu trabalho e capaz de inspirar uma verdadeira adoração pela beleza e a arte.

Já Rousseau, amado e odiado, mistura-se no século XVIII e XIX com os anseios de uns e de outros. Encontramos um Rousseau entre os socialista, e outro entre os liberais. Provavelmente o verdadeiro não seja nenhum desses, mas um mais simples e inquieto personagem daqueles tempos turbulentos prévios à Revolução – e, diferente de Mozart, sem um verdadeiro mestre.

Acho que não dá para comparar Mozart com Rousseau. Apesar do segundo compor algumas óperas, o primeiro foi um dos maiores nomes da música de todos os tempos. Apesar do primeiro ter escrito cartas, o segundo foi um dos grandes da literatura de sua época. Gostos à parte, cada qual teve impacto no seu ofício. Têm em comum que nenhum dos dois é tão compreendido quanto é citado.

O importante é que Mozart e Rousseau cumpriram com sua participação na história. O importante é que não passaram na vida como homens médios (medíocres). O importante é que deixaram algum rastro na história e por isso falamos deles até hoje – para bem ou para mal. O importante seria nos esforçarmos mais por entender as pessoas do que em julgá-las sem conhecer de verdade sua vida e obra. O importante é sermos capazes de cumprir, nós mesmos, com nossa parte no grande plano (misterioso) de Deus.

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O que será que vão falar de você no futuro? O que falam de você hoje? Como avaliam sua vida e sua obra?

O marketing pode até ajudar, mas não adianta, nunca vamos agradar a todos. E, convenhamos, isso seria realmente importante?

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