Alimentação estratégica

No livro Strategy and the Fat Smoker, o guru dos serviços profissionais, David Maister, trata de um tema indigesto para muitos líderes: perde-se muito tempo com análises quando a dificuldade real está na execução da estratégia. Na sua analogia, Maister compara com uma dieta que, para ser efetiva, obriga-nos a manter a continuidade dos novos hábitos alimentares. O difícil, claro, não está em selecionar o que vamos comer; a questão é se teremos a disciplina para mantermo-nos fiéis à dieta.

Depois de 20 anos de experiência como consultor descobri alguns macetes a respeito. Sem abrir mão da análise e do planejamento, também identifiquei que o maior desafio está ao pôr em prática as ações necessárias para atingir as metas. Se queremos os frutos, antes temos de plantar. É preciso, porém, “preparar o terreno” antes de semear e cultivar.

Ora, se “a cultura engole a estratégia no café da manhã” como dizem, por que não lhe dar o alimento correto? Não há que lutar contra este fato, mas aproveitar-se dele.  E a comida predileta da cultura organizacional são os hábitos.

Assim, em todo planejamento é fundamental questionar que tipo de hábitos estamos dispostos a abrir mão, adquirir ou preservar. Definir metas e objetivos é inócuo sem alinhar as ações cotidianas que podem nos levar a realizá-los. Isso é até trivial, pois normalmente após o planejamento estratégico segue a conversa sobre o plano de ação. Mas as ações muitas vezes são definidas como se fossem coisas fáceis de se implantar. Não são.

A aplicação da estratégia requer assumir um comportamento diário e constante. Portanto seria prudente considerar quais ações podem verdadeiramente ganhar realidade no dia a dia. Ao invés de iludir-se com os planos de ação desenhados em power point, melhor ser honesto com o que realmente conseguimos assumir como disciplina prática. É essa conduta que vai ser incorporada como hábito organizacional e que vai, em seguida, retroalimentar o pensamento estratégico e a sua execução.

Preparar o terreno antes de semear e cultivar envolve sempre um trabalho direto com as lideranças. Quem se compromete com o exercício do dia-a-dia? Quem se responsabiliza por alinhar as pequenas ações com as grandes questões estratégicas? Sem profissionais assim no grupo, toda meta se perde no esquecimento. Ou pior, gera frustração. Uma verdadeira congestão para a empresa.

Não basta selecionar a comida, temos de garantir que ela seja consumida todos os dias, todas as semanas, todos os meses. Isso dá mais trabalho que planejar, e é só assim que o planejamento se torna algo útil. Planejar tem mais a ver com essas escolhas: o que somos capazes de assumir como comportamento cotidiano? O que somos capazes de tornar prático? O que conseguiremos realmente seguir como regra diária?

A boa nutrição não se restringe a calcular calorias. A boa nutrição é aquela que funciona.

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Sabe aquela dieta de início de ano? Muitos a escolhem com cuidado, mas não há compromisso em mantê-la. Talvez seja hora de revisar isso ocupando-se mais de uma dieta própria para você do que copiando a dos outros. Afinal, com o que você é capaz de se comprometer na simplicidade do dia a dia?

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