Um presente para você

Que presente você deseja?

Ora, não importa muito o presente que você deseja, afinal, só lhe resta o seu presente – como você é hoje, o que você faz, suas companhias, suas ideias, seus sentimentos, sua saúde, seu corpo, suas posses. Tudo fruto deste passado que lhe corresponde, este passado que assinala o porquê de você ter o presente que tem.

Desejar não é proibido. Nem é inútil. Só que deveríamos lidar com cada momento do tempo, este contínuo, não como se fossem etapas discretas pela sua própria natureza, mas devido à possibilidade que temos, pela nossa consciência, de “fatiar” o fluxo temporal em antes, durante e depois. E valorizar devidamente cada uma dessas três faces.

Dar a devida importância a cada instante é mesmo afirmar o valor do tempo completo. Eu não me desfaço desastradamente do meu passado; eu seleciono aqueles coisas que me identificam mais e as trago, com a memória, para minhas reflexões diárias – tenho direito de revivê-las. Tenho direito também, se quero, de deixar para trás o que não me diz mais nada sobre quem sou hoje. Posso fazer uso do pretérito como me apraz. Quem poderia me impedir?

E o desejo é orientação de futuro. Schopenhauer, ao definir liberdade como “poder fazer o que queremos fazer” também limitou-a ao Ser. Ora, se sou quem sou, livre e desimpedido de ser isso, impossibilitado até de ser qualquer outro, por que não afirmar minha individualidade nos meus sonhos e interesses? Quem poderia me impedir?

Portanto o presente é construção antiga, simples fruto do cultivo cotidiano de ações, pensamentos, palavras e emoções que expressam constantemente quem quero ser e quem consigo ser. Este é o meu presente. Papai Noel algum pode me dar outro (pois tenho o que insistentemente pedi). Outrossim, nenhum bom velhinho descendo pela chaminé poderia me subtrair nada. Eu lhe daria uma surra e o expulsaria da minha casa se o tentasse. Quem poderia me impedir?

As típicas reflexões do final do ano não deveriam – ou não precisariam – ser nostálgicas, fantasiosas ou mórbidas. Podemos viver a vida com boas lembranças, com belos projetos para o futuro e com alegrias. Fugazes ou não, essas alegrias são emblemas de nossa maior posse: o presente. Nosso presente.

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Só quem pode me impedir, sou eu mesmo, nessas coisas… Eis o teu presente, oh buscador da sabedoria: eu te liberto! Quem? Eu, tua consciência.

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