A natureza dos honorários

Vem de Roma o hábito de pagar pelos serviços dos advogados. Porém, de início, dizem que não recebiam pagamento, pois a honra (daí o termo, honorarium) de prestar o serviço era suficiente compensação. Sabe-se que já em tempos do imperador Cláudio estes profissionais eram devidamente remunerados – inclusive havia uma tabela com limites de gasto. Qual a natureza dos honorários, hoje?

Não somente o ramo da advocacia, todos os serviços profissionais – intensivos em conhecimento – devem ser devidamente valorizados. Arquitetos, consultores, engenheiros, designers, auditores, entre outras atividades cuja natureza é intangível, interativa e inseparável (veja os 3 Is de contexto) têm melhor desempenho quando a remuneração é propícia. Se temos como dedicar tempo, atenção, energia para o cliente, fazemos melhor o trabalho, e todos ficam felizes. É assim comigo, que sou consultor de estratégia, e é assim com os meus clientes nos seus escritórios de diferentes ramos. Todos querendo honrar seus compromissos.

Honra é uma espécie de sentimento de dever, não? Ao menos é assim que a defino. Uma virtude que não está na moda, já que vivemos em tempos de direitos humanos, mais que de deveres humanos. A honra pode ser a marca da dedicação que um profissional tem pelos seus clientes. Pode sinalizar o modo como ele presta o serviço, naquela típica conduta dos bons profissionais: uma espécie de perfeccionismo, de alta exigência.

Na antiga Roma se somou ao sentimento, o pagamento. O honorarium permitiu a dedicação integral para uma atividade que se profissionalizou desde então. Hoje, temo que o pagamento possa se sobrepor ao sentimento. Mas aí é quando a percepção do cliente vai levá-lo a pensar que pagou caro. Então, foi-se a honra. E, by the way, foi-se o dinheiro também, pois o cliente não voltará e nem vai indicá-lo.

Quando honramos um contrato, honramos tudo nele: a tarefa, o dinheiro, a pessoa. Sem ganância, sem culpa.

Concluindo, não há porquê em separar dinheiro e trabalho, remuneração e reputação, pagamento e préstimo. Se é válido, paga-se; e paga-se bem.

Um critério acima da média para tudo o que fazemos é a melhor forma de garantir que merecemos pelo nosso trabalho. Seja comprometido, sério, dedicado de coração e entregando o máximo que puder. Não haverá pesar, nem seu, nem de ninguém. Todos estarão honrados.

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Escutei de um advogado espanhol uma vez a frase “Gosto tanto do que faço que faria até de graça. Mas eu cobro, e cobro bem”. Parece irônico, mas não é. Trata-se de dignidade e honra. Quem sabe que faz um trabalho bem feito não tem baixa estima e vai ficar à vontade para propor a justa compensação. Pois sabe que vai honrar as expectativas do cliente e vai cumprir o contrato com o melhor da sua técnica e com a máxima da sua dedicação.

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