Meaning Making

A construção do significado é uma das tarefas nobres da liderança. Refinado e às difícil de explicar, este é o penúltimo dos nove modos de liderança em serviços profissionais tal qual foram estudados por Laura Empson e Ann Langley. Atuação organizacional apoiada na personificação de um modelo para os demais; agora, no entanto, não basta ser exemplo para alguém, mas de cultivar um espírito de corpo para todos.

O sentido ou o significado responde àquela impertinente pergunta de “afinal, o que estamos fazendo por aqui”? O que nos move, qual o propósito de nosso trabalho? Que diferença fazemos na sociedade e no mercado? Qual a proposta do nosso escritório?

Os sócios e demais líderes devem se ocupar de construir essas respostas e de comunicar constantemente sua relevância. Cultivar valores exige tempo e esforço. Há que ensaiar, repetir e reafirmar constantemente a missão. Com isso nasce a possibilidade de gerir a cultura organizacional que, nos serviços profissionais, é a cola necessária e suficiente para fomentar a identificação com a proposta do empreendimento.

Necessária, pois no âmbito dos negócios intensivos em conhecimento não são os procedimentos que definem a conduta das pessoas, mas as pessoas que definem como procedem com cada cliente. Um advogado, um arquiteto, um engenheiro, ou qualquer outro profissional do conhecimento, preza sua autonomia e estilo. Assim, o engajamento e a motivação da equipe depende de um sentimento de pertencimento a um clã ou elite (ou como queiram chamar). A alta performance advém do propósito de querer ser parte do time.

Suficiente, justamente porque não é preciso mais do que isso. Quando a cultura é pesada, a liderança pode ser leve;  quando todos querem estar ali, comprometidos e felizes por participar daquela ideia, o esforço de supervisão, controle e coordenação tende a zero – low-profile leadership, high-profile culture. 

Quando os líderes constroem significado, deixando claro o porquê do negócio, criam uma força gravitacional que conjura outros interessados na proposta. Serve de atração e serve de filtro, simultaneamente. Ao tangibilizar o discurso com uma proposta de valor clara e consistente, disseminada e alinhada, com todos falando a mesma língua, a capacidade geral do negócio se expande. A partir deste ponto, atrair e reter talentos fica mais fácil. E os clientes também vão ser menos suscetíveis ao assédio da concorrência.

A linguagem adequada e a conversação são as ferramentas principais nesta tarefa. Compreender e reorientar o discurso sempre que se desvie dos princípios assumidos é parte essencial deste mecanismo de liderança. O encaixe entre a teoria e a prática depende de um contínuo olhar sobre como nos comportamos face à proposta declarada do nosso negócio. E quando há coerência, o dia a dia flui, as pessoas se divertem no trabalho e os clientes ganham o melhor do escritório. Como não ser lucrativo assim?

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Em tempo: o lucro não faz parte do significado, contudo é o oxigênio para que a proposta siga em frente.

O teste é justamente esse, embora possa ser paradoxal: quando ninguém se preocupa com o dinheiro, dando o seu melhor, conquistando bons clientes, a identidade do negócio se perpetua, pois os honorários estarão garantidos. Ganha-se dinheiro sem dar muito importância a ele.

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