Role-modeling

O próximo mecanismo nos apresenta um novo fundamento para a liderança em serviços profissionais, diferente do conhecimento técnico e da habilidade interpessoal. Trata-se da personificação de um modelo para os demais profissionais (personal embodiment) seguirem. Agora é questão de “ser”, mais do que “ter” conhecimento ou “fazer” política.

Inevitavelmente o assunto nos leva ao tema da Identidade do negócio, tão caro aos escritórios profissionais, dada a ambigüidade e abstração do seu contexto. A questão é que se identificar ou não com a proposta depende de ver um modelo concreto dela, neste caso, personificado por um ser humano real, atuando, vivendo. Assim, os sócios do escritório são o principal referencial de como deve se comportar um profissional ali.

Herminia Ibarra* diz que os jovens se preparam para chegar à sociedade [cume da carreira nos serviços intensivos em conhecimento] observando e imitando os mais velhos, experimentando identidades provisórias até que se atinja a maturidade profissional. Deste modo, em termos de autoridade e poder, é evidente que “ser um modelo” para os demais tem uma gigantesca força de influência.

É claro que que para “ser” é preciso “ter” conhecimento e “fazer” relacionamento. Mas o ponto aqui é a ênfase dada para a necessidade de ter credibilidade moral para isso. Um efeito desse mecanismo num nível individual é a admiração e o respeito, gerando uma verdadeira trupe de seguidores que, conscientemente ou não, copiam o líder e tentam ser como ele é.

Quando os mais jovens exercitam atitudes e condutas inspiradas num outro profissional, sócio ou não, já surgiu aí o fenômeno da liderança. É implícito, informal, sem esquemas. É prático, comum, sempre efetivo. Um poderoso instrumento para desenvolver uma cultura de trabalho de profissionalismo e altos níveis de qualidade.

A vantagem deste modo de liderar é que é puro, baseado estritamente na capacidade de ser um exemplo de valores e virtudes. Normalmente esses profissionais – sejam advogados, arquitetos, engenheiros, consultores ou de qualquer outro ramo – estabelecem um padrão de trabalho com um nível de exigência difícil de ser emulado. Entretanto, quando acontece, vemos aqueles times de craques. Parafraseando Lorsch e Tierney, os autores do livro Aligning the Stars, se quisermos ter uma equipe de estrelas (e quem não quer?), precisamos encarnar nós mesmos essa ideia no nosso negócio.

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Começamos aqui a ver o grupo de papéis baseado no exemplo moral. Pessoalmente, este é o conjunto que mais me interessa. Como filósofo, gosto sempre de buscar o elemento mais intrínseco e essencial; no caso da liderança, me agrada pensar que o líder deve, antes de mais nada, incorporar o que se interessa por realizar. Como ensinava Platão: governar-se antes de governar outros.

*Working Identity

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