Balancing

O velho mestre dos serviços profissionais, David Maister, sempre disse que competimos simultaneamente no mercado de clientes e no mercado de talentos. Um escritório que pretende se destacar depende não somente de uma forte carteira de clientes, mas também de uma forte equipe de profissionais. Mas como equilibrar (ou balancear) essa equação?

Por exemplo, para selecionar, treinar e desenvolver os talentos, há que contar com a participação dos sócios; para definir a quantidade de profissionais necessários para atender a futura demanda dos clientes, também; para equilibrar a proporção entre profissionais sênior, pleno e júnior, igualmente é preciso conhecimento técnico e experiência; e a promoção de um novo sócio, pode levar a conversas que se estendem por mais de um ano. Então, o que à primeira vista pareceria só uma questão administrativa, ganha maior complexidade quando vemos como isso acontece na prática.

Essas decisões se revestem de muita incerteza e subjetividade. Mesmo que o escritório tenha histórico para analisar e regras escritas para se guiar, na prática, a liderança dos sócios é o fundamento para “balancear” toda a organização. Nas palavras de Empson e Langley, os líderes “devem ter credibilidade profissional entre os seus pares para persuadi-los a aceitarem as decisões necessárias para ‘balancear’ o escritório” (tradução minha). Quem garante que a decisão está coerente com a demanda prevista para o próximo ano? Qual a probabilidade de que os novos trainees vão chegar a ser efetivados? Este novo sócio vai mesmo contribuir com o desenvolvimento de novos clientes? Vamos manter a alavancagem desejada entre sêniores e juniores?

A imagem que me vem à mente quando penso nessa forma de liderança é a do malabarista. Pois tudo isso ocorre num dia a dia dinâmico que, dependendo do ritmo de crescimento do negócio, pode chegar a ser tenso. Em serviços intensivos em conhecimento, “balancear” o negócio requer uma visão do todo em movimento. Só que as peças são pessoas! Mais difícil ainda.

Já tentou brincar com malabares? Eu já, bem difícil. Parece que o desafio é manobrar todas as peças como se fossem um só corpo e não cada uma individualmente.  Não é só visão sistêmica, mas atuação sistêmica. Este papel de liderança também se apoia no conhecimento técnico, porém tem uma amplitude de ação muito maior. Agora trata-se de influenciar toda a organização.

Na próxima semana falaremos do último modo de liderança apoiado na expertise e com a maior abrangência: championing.

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