One-to-one

Como introduzido no último texto, da semana passada, vamos descrever agora os nove mecanismos de liderança em escritórios de serviços profissionais. Reitero que este é um trabalho das pesquisadoras Laura Empson e Ann Langley, britânica e canadense, respectivamente.

O primeiro mecanismo identificado por elas é aquele baseado no expertise profissional, ocorrendo num âmbito individual (ou em pequenos grupos). A  fonte de autoridade está na bagagem técnica/doutrinária do líder e a influência depende da proximidade entre líderes e liderados. Daí lembramos de palavras como orientação, feedback, on the job trainingcoachingmentoring. Sou bastante precavido com esses últimos dois termos – pois seu uso ficou massificado e exagerado, entretanto, é evidente que o acompanhamento individual é fundamental.

O mais comum é ver esse papel exercido por um profissional mais experiente que orienta um recém chegado ao escritório. A influência dos sêniores é tal que é nela que se forja a identidade dos juniores. Isso é efeito das lideranças do escritório.

Essa forma one-to-one (um a um) é essencial em qualquer organização, mas no caso dos serviços profissionais, ainda mais. Pois veja: os ativos intangíveis moram na cabeça das pessoas, portanto sua transmissão depende da interação entre elas. É impossível explicitar 100% do know-how, de modo que o principal do expertise de um negócio intensivo em conhecimento é sempre tácito.

E mais do que transferir conhecimento, é preciso integrar os novos colaboradores, apresentar os profissionais aos clientes, coordenar tarefas, identificar talentos “fora da curva” e desenvolver futuros sócios. Tudo isso requer uma proximidade e um trabalho direto com cada um dos profissionais do escritório. Dá trabalho, requer tempo e demanda energia, contudo é absolutamente necessário.

Lembram daquele frase (típica do paradigma industrial) de que “ninguém é insubstituível”? Pois é, na minha visão é justamente o contrário: todos somos insubstituíveis. Até hoje não encontrei ninguém igual a ninguém…

—-

Cada pessoa é singular e exclusiva. Se você quer liderar, terá, forçosamente, que conhecer e tratar individualmente cada profissional da equipe. Não há nada de novo aqui, apenas reforçamos o óbvio.

No próximo post vamos falar do balancing, outro papel da liderança no contexto dos serviços profissionais, baseado também no expertise técnico, mas com maior amplitude de ação.

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