Níveis de estratégia

Vencer significa necessariamente alguém ganhar e outro perder? Será essa a única concepção possível de vitória? Bem, talvez seja, sim, a mais comum. Mas não necessariamente a mais refinada.

O mundo de hoje se caracteriza por competição. E pelo nosso histórico de guerras e guerrilhas, em todos os campos, inclusive intelectuais, pensar uma harmonia total parece ingenuidade. Mas não pretendo falar aqui da possível paz perpétua de Kant. A ideia é mais pragmática.

No âmbito dos negócios, nem sempre a agressão (baixar preços, lançar novos produtos, roubar clientes) é a melhor estratégia. Competir visando ganhar do concorrente é básico. É que talvez seja básico demais… Ketan Patel admite a hipótese e a eventual necessidade disso, mas apresenta um segundo nível de estratégia que é a Perturbação. Perturbar o inimigo pode tornar desnecessário lutar contra ele diretamente. Já parece mais refinado, não?

Patel fala ainda de um próximo nível, a Dominação. Por exemplo quando uma grande empresa assume a liderança do mercado com seus ônus e bônus e dita a maiorias das regras – isso implica em verdadeiras concessões e preços a pagar, por exemplo: investir constantemente em pesquisa e aceitar o fato de que haverá custos que outros players podem prescindir.

O quarto nível de estratégia, a Inclusão, já nos leva a pensar menos em perdedores e mais em ganhadores. Exemplo típico é transformar um eventual concorrente em parceiro, através de alianças comerciais, fusões, joint ventures etc.

O mais alto grau de estratégias surge na Aspiração, quando os estrategistas unem-se em torno de uma causa superior aos seus interesses particulares. É quando os líderes convergem seus esforços para o bem comum e dedicam-se à Causa, que pode unir os diferentes. Idealista? Certamente. Lindo? Também. Lírico? Acho que não, para mim está mais para um épico.

Eu acho que o futuro da estratégia estará desafiando mais e mais os estrategistas a elevarem seu grau de consciência e a mostrarem, daí, mais maturidade nas decisões. Ganhar o conflito é bom. Melhor é evitar o conflito. Superlativo é vencermos todos juntos.

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Quem prefere lirismo, pode ler poesia lírica. Quem não alcança a ideia da harmonia e da cooperação, pode lutar nas arenas competitivas comuns. Mas quem sonha com a possibilidade de um mundo melhor (por que não?) pode assumir para si o mito épico do cavaleiro errante que busca outros companheiros de cruzada para viver na prática essa saga. Vamos juntos!

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