Liderando estrategistas

Um grupo de líderes tratando da estratégia do negócio pode ser muito comum no dia a dia das organizações. O que não significa que o assunto seja trivial. Na realidade, acho que este é um dos temas mais delicados de se tratar, pois sendo um fundamento das relações humanos, a liderança não chega a ser um assunto totalmente compreendido; muito menos dominado.

Liderar uma equipe madura e experiente não é como liderar um time de jovens em formação. Trabalhar com sócios que dialogam e chegam ao consenso com profissionalismo não é como debater com gente que se compraz em discordar e lutar irracionalmente pela “sua” opinião.

No Master Strategist Ketan Patel assume o risco de não ser politicamente correto e dá a real: não adianta propor uma conversa aberta e participativa se os integrantes não têm condições de acompanhar o debate. No mínimo vai ser inútil, perda de tempo e chato. No máximo vai ser constrangedor, traumático, quem sabe conflitivo. O autor fala de quatro níveis de maturidade em discussões estratégicas, vejamos.

Um mestre com noviços normalmente deixa o primeiro em posição difícil, pois não tem a companhia mínima para desenvolver temas complexos. Pior ainda quando os noviços não se assumem como tal e, por arrogância ou simples ignorância acham que estão no mesmo nível de conversa. Infelizmente, é um arranjo bem comum de se encontrar.

Um mestre com aprendizes pode conformar um time interessante, especialmente para os aprendizes. Mas eles têm de ser humildes para escutar e aprender. Claro que vão ser ouvidos também, afinal, um estrategista consciente vai querer aproveitar ideias diferentes e novas perspectivas sobre as coisas, além de se dedicar à formação dos futuros líderes. Essa combinação não é comum, mas quando existe garante a sucessão e os próximos anos do negócio.

Um grupo de mestres estrategistas, o time ideal. As reuniões são produtivas, profundas, com enriquecimento paulatino das avaliações e com decisões assertivas. Há complementaridade e construção, dadas as visões individuais, porém também há consenso e cooperação, dadas as amadurecidas consciências dos participantes. Essa é a configuração desejada e pela qual normalmente trabalhamos para alcançar.

Um estrategista iluminado torna, segundo Patel, irrelevante o grupo que o acompanha. A estratégia não pode ser melhorada além da sua visão. O que os demais podem fazer, se aceitam acompanhá-lo, é ajudar na execução. Mas essa configuração é muito rara.

Certa ou errada, essa classificação nos leva de encontro à popular ideia de que mais cabeças pensam melhor do que uma. Depende. Claro, depende de quais são as cabeças. Pode não ser bonitinho afirmar isso, mas a experiência mostra que é assim mesmo.

O importante não é lutar pela “sua” opinião, mas ajudar para que a decisão seja a “melhor” para todos. De que adianta ter dado um “pitaco” na discussão se não contribuiu para nada? Qual a vantagem de falar por falar? Quer simplesmente participar da brincadeira? Cuidado, Sun Tzu, bem no início do seu clássico Arte da Guerra, diz que estratégia é coisa muito séria.

—-

Mas se o problema é de auto estima, procure ajuda. E se lhe recomendam terapia ocupacional, busque outra coisa. Estratégia não é brincadeira.

Próximo artigo: níveis de estratégia, da competição à inclusão.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s