Um pouco de história

Os serviços profissionais – intensivos em conhecimento e de alto valor agregado – não nasceram recentemente. Talvez a categoria remonte às antigas civilizações, como em Roma, que viu a classe dos juristas ganhar grande influência social, ou na China, que tinha nos mandarins os principais líderes do período Tang, ou mesmo no Egito com seus contadores (escribas). Isso tudo é bem antigo.

A modernidade europeia, a Inglaterra Vitoriana acompanhando a revolução industrial, o desenvolvimento econômico dos EUA, abriram espaço para engenheiros, projetistas e arquitetos. Também vemos, durante todo o século XX, consultores e especialistas  ganhando maior importâncias nas organizações, especialmente nas duas últimas décadas, pegando carona no boom da tecnologia. Mas é evidente que o impulso recente dos últimos 30 anos se consolida com o advento da “sociedade pós-industrial”.

A internacionalização dos grandes escritórios de advocacia, as multinacionais de consultoria gerencial, a contratação de arquitetos estrangeiros (Dubai!), a exportação dos serviços de engenharia e, claro, a  expansão global dos negócios de software, apontam para uma “economia do conhecimento”. Agora os serviços intensivos em conhecimento aparecem como protagonistas dos negócios globais vis-a-vis às grandes corporações industriais. Isso é inédito na história.

Alguns argumentos que contribuem para ver a importância dos serviços profissionais no mundo atual:

  • Político: liderança e participação ativa aconselhando empresas e instituições públicas;
  • Econômico: faturamento global de mais de U$ 1 trilhão por ano e crescimento médio de 10% ao ano (1980-2000)**;
  • Cultural: pesquisa, geração de conteúdo e consequente influência sobre os paradigmas de gestão;
  • Social: uma nova “classe” (experts) e de toda uma concepção de vida em torno da profissão (uma instituição em si).

Trata-se quase de um fundamento antropológico para o fenômeno. O profissional do conhecimento: o indivíduo que pretende realizar um estilo de vida baseado em autonomia, independência, aprendizagem, ocupa hoje um espaço ímpar. Mais do que nunca, advogados, arquitetos, consultores, engenheiros, designers, entre tantos outros ramos dos professional services, estão buscando um paradigma próprio. Gerir escritórios, estúdios, agências, empresas, clínicas e demais organizações de conhecimento intensivo não tem o porquê de apoiar-se no modelo da velha fábrica novecentista.

Para onde vamos, então? Ora, temos de seguir a história e dar lugar às tendências de novos modelos organizacionais, estimulando a co-criação de valor entre profissionais e clientes, ratificando as pessoas como principais atores e assumindo os ativos intangíveis como principal recurso dos negócios.

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A história não só se lê (no passado), mas sobretudo se faz (no presente). Como será o futuro próximo? Nós, profissionais do conhecimento, seremos parte influente dele, isso é certo.

**Lorsch & Tierney, 2002, Aligning the Starts.

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