O melhor remédio

No livro Tempos de Guerra de Steven Pressfield, há uma cena em que Alcibíades, general ateniense, “dá a real” para os seus capitães. Estavam eles dizendo o que precisavam para revitalizar sua marinha e elevar o moral dos homens – mais armamento, navios novos etc. Estavam sendo superficiais. Alcibíades, após escutar as solicitações em silêncio, levanta-se e diz o que era realmente necessário naquela hora: vitórias, os homens precisavam de vitórias.

Diante dos fracassos, erros, tropeços, dificuldades, tentativas frustradas, o melhor remédio é a vitória. Os líderes podem provocar pequenos êxitos cotidianos para atingir esse objetivo, não é tão difícil. O problema é que a maioria se concentra no aspecto negativo ou então busca soluções radicais e completas com imediatismo. Quando a equipe está desmotivada, é raro conseguir uma solução global instantânea.

Todo grupo humano tem histórias para contar e essas histórias reforçam, num constante feedback, as ações e os hábitos daquele grupo. É a força do imaginário na conduta dos indivíduos. Os bons líderes atuam nesta esfera também. Gerenciando os símbolos e mitos que estruturam a cultura organizacional e propiciando as vivências justas para animar o clima.

Os erros não devem ser esquecidos nem muito menos negados. Isso seria irresponsabilidade e você perderia a chance das correções. Entretanto, não lhes dê maior importância que a que têm. Do contrário, serão como fantasmas assombrando as pessoas já na segunda-feira de manhã…

Dizem que a pós-modernidade é mais ancorada nas narrativas que nos fatos. Não importa. Um bom líder pode unificar as duas coisas e gerar experiências de êxito bem concretas para as pessoas e, logo em seguida, celebrar e registrar, para que se afirmem. Acumular pequenos ganhos serve para modificar a narrativa de “perdedores” para “vencedores” sem recear a mera fantasia.

Todos lembram daquele remédio amargo da infância, não? Mas e quem se esqueceria do sabor frutado do xarope contra a gripe? E os dias de cama com nariz entupido são sempre raros em comparação com os dias de sol, na rua, jogando bola com os amigos. Aliás, a vontade de sair para a rua e poder brincar é que cura, não?

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Na maioria das vezes, os erros não passam de resfriados na jornada longa da vida. Não dar muita atenção a eles não é negligência. É estratégia.

Lembre-se, o melhor remédio para uma derrota é uma vitória.

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