O paradoxo

Os profissionais do conhecimento querem realizar um estilo de vida próprio. Advogados, arquitetos, engenheiros, publicitários, todos, enfim, pretendem trabalhar num ambiente que reúna as características certas para uma oportuna liberdade de ação. Podemos descrever essa liberdade em termos de autonomia, expressividade e aprendizagem.

Todos queremos autonomia para desenvolver nossas atividades – não gostamos muito de supervisão. Queremos sobretudo poder expressar nosso conhecimento e nossa criatividade em cada contrato, com cada cliente – não gostamos muito de procedimentos. E queremos, claro, aprender constantemente e constatar que estamos crescendo sempre – quem gosta de mesmice?

Acontece que muitas vezes os sócios de serviços profissionais caem num paradoxo: precisam evitar o caos, mas não podem burocratizar o escritório. Se a desejada liberdade impede a coordenação, a desejada coordenação impede a liberdade. Supõem.

Como organizar o trabalho sem limitar o espaço para trabalhar?

Se adotamos um paradigma próprio para a gestão de serviços intensivos em conhecimento veremos que esse paradoxo não existe. Pois a coordenação dos profissionais deve ser “amarrada” mais pela cultura do escritório do que por procedimentos. Quando todos têm clareza sobre a identidade do negócio podem atuar em conformidade com ela.

Pode-se fazer isso mediante uma agenda mínima de conversas dos sócios entre si e deles com os associados. Compartilhando, revendo, avaliando, comunicando, observando e transmitindo algumas regras e diretrizes básicas que só podem ter valor se aparecem no comportamento cotidiano dos sócios. Com isso surge um alinhamento natural que serve também de filtro para saber “quem é da casa e quem não é”. A cultura seleciona.

Portanto, é mais uma questão de liderança pelo exemplo do que de uma tentativa de supervisionar a conduta alheia.  É justamente a liberdade que permite a coordenação. E, de brinde, confere um sistema de produtividade e seleção de talentos.

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Organizar o trabalho e dar espaço para trabalhar. Não há paradoxo.

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