Escritório não é fábrica: profissionalismo

A palavra profissionalismo remete a uma qualidade, em qualquer contexto. Contudo, no contexto dos serviços intensivos em conhecimento, o profissionalismo ganha a condição de virtude maior.

Numa fábrica, poucos são os colaboradores que possuem a mesma profissão que o “dono”. Em um escritório, ao contrário, raras são as pessoas que não têm a mesma profissão que os sócios. Profissionalismo, no nosso ambiente, é qualificativo que tem o poder de integrar o estagiário com o sócio-sênior. Dessa identidade compartilhada surge um mundo à parte do qual todos ostentam o mesmo crachá: orgulho de pertencer.

Em alguns ramos chega-se a participar quase de uma casta. Advogados, arquitetos, engenheiros, publicitários, médicos, psicólogos etc. cada qual com seu Conselho de Classe. OAB, CAU, CREA, CONAR, CFM, CFP entre outros acrônimos povoam o jargão de escritórios, empresas, agências e clínicas, conforme a preferência ao denominar a organização. Aliás, a organização profissional tem organograma, plano de carreira, sistema de remuneração, sociedade e governança distintos da organização industrial. Quem poderia comparar a nomenclatura de cargos, as avaliações de desempenho, os reconhecimentos e as promoções ou a possibilidade de chegar a sócio,  entre um escritório e uma fábrica?

Profissionalismo tem código de ética. E ademais do código explícito (redigido e publicado) há sempre um código implícito, de honra. Quem quer ser parte do clã, tem de mostrar-se moralmente capaz. Intelecto aguçado, criatividade, experiência, são atributos desejáveis. Imprescindível mesmo é a conduta diária que se mostra em como lida com os problemas, como atende os clientes, como interage com os pares, como se desenvolve como pessoa. Quem sabe até, elegantes como os cisnes…

Em serviços de conhecimento, existe uma concepção tácita de colegiado do qual todos querem participar. Os mais velhos são modelo, os mais novos são admiradores, e todos, independente das diferenças geracionais, sentem-se numa mesma família. (E como em toda família, cabem as diferenças também). Romântico? Não, profissional, só isso.

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Se escritório fosse fábrica, profissionalismo seria cobrado pelos “donos”. Mas, como escritório não é fábrica, profissionalismo é compartilhado entre todos.

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