Escritório não é fábrica: investimentos

Investir na linha de produção é comprar máquinas. O que seria investir num escritório de serviços profissionais? Bem, não podemos, digamos, “comprar” pessoas… O que, sim, podemos fazer, é investir nos talentos – contratando e/ou desenvolvendo-os.

No primeiro caso, a boa prática é jamais delegar o processo de recrutamento e seleção a qualquer profissional que não seja um sócio com bom entendimento do negócio e da cultura do escritório. Outra coisa a saber é que recrutar e selecionar bons profissionais dá trabalho, exige tempo. A questão chave é que não se limita a avaliar tecnicamente o candidato, mas sobretudo a avaliar seu perfil em relação à Identidade do negócio. Isso não é fácil.

Uma vez selecionado o novo profissional, vem outra fase não menos importante, que é sua integração. Pode ser causa de sucesso e de fracasso esse momento. Não se trata de simplesmente apresentar o sujeito aos novos colegas. É preciso criar uma caminhada inicial – em torno de 90 dias – para que a pessoa consiga se sentir em casa, com responsabilidade, expressando-se com autenticidade. É assim que vamos “extrair” o máximo de seu potencial.

No segundo caso, antes de mais nada, deve-se compreender que desenvolvimento não se limita à capacitação. Inclui, mas não se reduz a isso. Há que capacitar (em temas técnicos, interpessoais e até gerencias, à vezes), contudo também há que propiciar experiências práticas que sirvam de provação e amadurecimento. Uma dica, do consultor indiano Ram Charan, é simplesmente pensar em responsabilidades de complexidade crescente para a carreira do profissional.

E, lógico: acompanhar! É fundamental o mentoring constante por parte de um dos sócios ou ao menos de um dos líderes mais experientes. Não basta contratar coaching de fora do escritório (embora isso possa ajudar), é necessário que a liderança da organização se comprometa com o seu maior ativo. Se os líderes não estão dedicando tempo às pessoas, estão dedicando tempo ao quê?

Alguns poderiam argumentar, com pernóstico suspiro: dedicamos tempo aos clientes, ora! Ok, mas o que você vai mostrar aos clientes? Sua mesa de reunião, seu laptop e sua caneta? Ou alguma outra máquina? Os escritórios de sucesso mostram os seus profissionais.

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Investir em talentos é análogo a investir em maquinário industrial. Só que mais difícil, pois lidamos com pessoas e caímos, como sempre, no abstrato e intangível mundo do conhecimento, da criatividade, da  experiência e da sensibilidade. Claro, é também muito mais interessante e divertido!

Pois, mais uma vez, repito: escritório não é fábrica.

 

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