Vender conhecimento

Será que os negócios baseados em conhecimento vão de encontro à proposta dos filósofos gregos?
Sócrates tinha muito incômodo com os sofistas. Platão e Aristóteles também. Alguns acham que era pelo fato de cobrarem por suas aulas, mas a questão não era essa. O problema era a falta de compromisso que esses pseudo-sábios tinham com a verdade.
Já na Grécia antiga (e em Roma, no Egito, na China, na Índia, em todas as antigas civilizações) havia profissionais do conhecimento. Políticos, advogados, professores, arquitetos, escritores, inventores, artistas, estrategistas e empresários… Esses papéis já existiam naquelas economias preponderantemente agrárias. Continuaram existindo na era moderna, caracterizada pelas fábricas e impulsionada pela revolução industrial.
Hoje vivemos numa terceira onda em que a produção, a distribuição e o consumo de informação e de conhecimento marcam a atividade econômica.  Teriam os sofistas desejado então nossa sociedade contemporânea? Ou estariam eles muito expostos ao verdadeiro conhecimento e fugiriam dela?
Acho que os sofistas nunca deixaram de existir. Parece que estamos ainda cercados por intelectuais que pretendem saber de tudo, responder a quaisquer perguntas, vencer disputas e confrontar opiniões. Não são profissionais do conhecimento, são profissionais da opinião. Não buscam a sabedoria, buscam a idolatria. Não fazem discípulos, quando muito, fazem seguidores. Seu compromisso é com o seu próprio ganho; querem ganhar a todo custo e fazer os outros perderem. Seu regozijo está em mostrar erudição – normalmente inútil na vida prática. Podem ser famosos, mas não necessariamente suas vidas sejam exemplo moral. Pretensos gurus, maus conselheiros, autores de livros de autoajuda, palestrantes exibicionistas etc. Há toda uma gama de neossofistas na economia atual. Até oferecem conhecimento, mas não o entregam, pois não têm.
Como destacar-se da multidão e, sobretudo, como diferenciar-se desses pseudoprofissionais? Mantenha seu compromisso com a verdade. Dedique-se de coração a ajudar seus clientes. Faça o bem a cada um deles. Seja justo nas negociações. Realize belas obras. Deixe o mundo melhor. Ocupe-se mais com o que os outros recebem do que com os seus próprios ganhos.
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Vender conhecimento não é feio. Feio é cobrar por ele e não o entregar.

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