Quebrando coisas

A palavra iconoclastia (destruição de ícones) deriva da história de Leo III, imperador de Constantinopla, quando em 725 ele quebrou as imagens de Cristo nos portões do seu palácio. Gesto altamente simbólico. Desafiou, àquela época, o poder da Igreja. Não poderíamos nós, hoje, desafiar o equivalente que nos oprime?

Parece que os antigos sábios toltecas se referiam ao mundo como uma descrição. Semelhante, talvez, ao conceito de maya dos hindus, que significa ilusão. Para esses filósofos de outrora, o mundo material não passa de uma espécie de holograma que se estrutura de acordo à consciência de cada indivíduo.

Gregory Berns, em seu livro “O Iconoclasta”, aponta três elementos para descrever aqueles que gostam de mudar paradigmas, quebrar preconceitos e padrões: percepção, resposta ao medo e inteligência social. No que tange ao primeiro deles, aponta pesquisas da neurociência como base para explicar que a realidade não é o conjunto de dados que nos chega pelos sentidos, mas como o cérebro interpreta esses dados e lhes dá significado. Segundo ele e seus colegas da neuroeconomia, há líderes que inovam e fazem história pela sua capacidade de ver o mundo de um modo diferente. Gregory acrescenta que é possível estimular essa atitude, e o modo mais eficiente seria “bombardear o cérebro com elementos que ele nunca encontrou antes. A novidade liberta o processo perceptivo das algemas da experiência passada e força o cérebro a fazer novas avaliações”. Daí que podemos cultivar nossa própria iconoclastia…

Se quisermos inovar, fazer as coisas diferentes, criar, produzir conteúdo original, propor ideias consistentes, oferecer algo de valor, enfim, precisamos de um coup d’oil (o golpe de vista de Napoleão) sobre a vida. Viaje, leia livros, conheça pessoas, cavalgue, dança, lute, toque um instrumento, cante, compre um cachorro, aprenda um novo idioma, tire fotos, pinte e borde. Derrube suas limitações mentais. Ficar preso aos hábitos e reclamações comuns podem acabar nos levando a perceber a vida assim mesmo: algo comum. E isso, então, será nossa realidade. Terrível.

O que sempre oprime o homem e que deve ser quebrado é a burrice, o medo, o preconceito, o egoísmo, a inércia. Todos inimigos internos. Para quebrar essas coisas, precisamos de coragem, sim. E, antes de mais nada, da coragem para buscar uma realidade diferente.

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Sejam os xamãs do antigo México, os brahmanes da Índia ou os neurocientistas das universidades norte-americanas, cada qual com sua linguagem, concordam que percepção é realidade. Mude sua percepção. De si mesmo, das coisas e do mundo. Seja o iconoclasta da sua vida!

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