Em Santiago, à distância

Estive em Santiago do Chile nestes dias. Uma cidade organizada, bonita, com algumas ruas arborizadas que lembram Porto Alegre (mas com um clima seco, bem diferente da capital gaúcha). Museus, boas opções de restaurantes e bares, praças, um movimentado mercado central e a trilha sonora do castelhano falado pelos chilenos. E, claro, os picos da Cordilheira dos Andes… Pude ver a beleza daqueles picos ainda nevados, apesar do verão, observando à distância a capital do país.
Num exercício de reflexão imaginei como a humanidade seria observada por deuses misteriosos que acompanham nosso trajeto pela história. Como se do alto daquelas montanhas, no seu branco puro, um olhar invisível perscrutasse não só os movimentos dos nossos corpos, mas a vibração das nossas almas. Imaginei-me sendo observado, constantemente supervisionado. Sem possibilidade de me esconder.
Há muitas versões do mistério… Não importa a palavra. Se Deus ou Deuses ou o Aleatório ou a Entropia ou qualquer outra crença. São nomes e crenças. O que não é crença, todavia, é a intuição que todo indivíduo tem de “Algo” por detrás do visível. Dizem uns modernos pesquisadores – Mircea Eliade, Ernest Cassirer, Gilbert Durant, Joseph Campbell, Carl Jung, Fernando Schwartz, entre outros – que o que nos diferencia dos animais é justamente essa possibilidade de imaginar o que não está presente, o simbólico, o mítico, o sagrado. (Parece-me que os ateus são só resultado de pouca cultura).
Um bom líder precisa também compreender que a natureza humana tem dessas coisas. Todos os nossos liderados são gente assim. Uns mais crentes, outros mais duvidosos. Uns usando um nome (Deus?), outros usando outro nome (Causação Descendente?). Todos, porém, com sua própria concepção do mistério.
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À distância, como aqueles picos nevados da Cordilheira dos Andes, podemos imaginar o que os deuses veem em nossos corações. Sem mentiras. Sem poder se esconder.
E o que veem? Coisas boas ou ruins? Justiças ou injustiças? Boa vontade ou malícia? Pois nós também podemos ver dentro da nossa própria alma. À uma justa distância, somos capazes, também, de perscrutar o mistério.

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