NICs – Negócios Intensivos em Conhecimento

Normalmente abreviados como KIBs (Knowledge Intensives Businesses) os negócios intensivos em conhecimento (NICs) diferenciam-se de outros setores. Mas como? Em quê? Quanto? Isso realmente existe como categoria à parte ou é mais um modismo?
Há muita divergência ainda a respeito do tema, visto que todo negócio, desde sempre, fez uso do conhecimento. Não somente no setor terciário da economia -comércio e serviços- isso é verdadeiro, mas inclusive nos setores secundário -indústria de transformação- e primário -agropecuária e extrativismo. Então, onde estaria a novidade?
A tal economia do conhecimento normalmente é relacionada com a revolução da tecnologia da informação. No entanto, precisamos admitir que informação não é sinônimo de conhecimento. Muito menos dados são sinônimos de conhecimento. Assim, aonde está a evidência de que existe um segmento que podemos denominar de “intensivo em conhecimento”?
A OECD tem realizado estudos e publicado alguns artigos sobre a economia e os setores intensivos em conhecimento e ela mesma, pela autoria de seus consultores e pesquisadores, considera difusa a definição. O conceito de negócio intensivo em conhecimento muitas vezes carece de precisão, de limites. Outras vezes fica reduzido em critérios por demais específicos, como aquele dos gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D). Por exemplo, uma indústria farmacêutica gasta muitíssimo mais em P&D do que um escritório de advocacia… Mas quem poderia negar que os advogados trabalham, proporcionalmente, mais com conhecimento do que uma indústria farmacêutica?
Daí que meu critério para definir os NICs é mais empírico: todo negócio que se baseia fundamentalmente em conhecimento, isto é, aonde o que se vende é intangível; o que se apropria e absorve também; e o que se utiliza durante o processo de trabalho igualmente é. Conhecimento no início, no meio e no fim.
Dentro deste critério, advogados, arquitetos, engenheiros, consultores, entre outros serviços profissionais tornam-se os melhores candidatos a integrar esse segmento “novo”. Mas o que há de novo aí? Afinal, essas profissões são bem tradicionais. Ora, e o conhecimento não seria algo bem tradicional?!
A novidade então está em reconhecer os NICs como uma categoria cujos atributos e necessidades diferem daqueles negócios intensivos em mão-de-obra ou intensivos em capital. Não é o mesmo gerir um escritório que gerir uma fábrica.
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Uma coisa é fazer uso de conhecimento, outra é vender conhecimento. Uma coisa é ter conhecimento para fazer um trabalho, outra é trabalhar com o conhecimento. Uma coisa é adquirir conhecimento para ter uma profissão, outra é ser um profissional do conhecimento. Sim, nós existimos.

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