Pelas ruas do Cairo

Estive no Egito neste ano e a despeito das suas maravilhas antigas nota-se suas muitas mazelas contemporâneas. Superpopulação, pobreza, violência, fragmentação política. Até os garçons e vendedores expressam um certo sentimento difícil de entender… Numa palavra: cansaço.
No sul do Egito, próximo de Assuã, vi a miséria de um povo que parece sobreviver como pode, enfrentando seus dias com esperança. No norte, no Cairo, vinte e cinco milhões de pessoas misturam-se numa miríade de rostos que miram com estranheza. Chegaram a tirar foto comigo, o estrangeiro. Sorridentes, alegres, fui para eles uma mescla de curiosidade e excentricidade. Todos rimos juntos, como seres humanos devem fazer independente de sua raça, religião, nacionalidade, idioma. Fomos, naqueles instantes, um pouco irmãos. Sentimos, ainda que por momentos, a possibilidade da fraternidade.
No Cairo quase não há semáforos. E, espantosamente, não se vê acidentes. Parece que o Egito moderno também tem lá os seus mistérios…
Pelas ruas do Cairo vi a tristeza da civilização atual. Nosso mundo de hoje espelha uma globalização que mais promove a massificação e o culto à tecnologia (lá, todos de celular, claro). Através das contendas de poder, entre as grandes nações e as pequenas máfias, o indivíduo humano quase não aparece. Esforça-se apenas por sobreviver. Fica difícil transcender.
Pelas ruas do Cairo pode-se ver muitas coisas só deles. Mas também vemos a fadiga da humanidade toda, cansada de injustiça, cansada de violência, cansada de sofrimento. Isso, infelizmente, não é particular do Egito. Independente de problemas locais, o mundo chora em conjunto.
Claro que também conheci pessoas idealistas, alegres, enérgicas. A esperança marca o semblante de alguns líderes locais. E isso igualmente nos mostra como somos parecidos quando expressamos o que há de mais humano em nós.
Aos líderes do futuro: perceber que para além das diferenças o ser humano é feito da mesma substância interior. Nossa natureza espiritual é uma só. Podemos, pois, ficar tristes juntos, pelos problemas dos outros. Podemos, outrossim, ficar alegres juntos, pelo regozijo alheio.
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Quem sabe possamos recordar também as maravilhas dos antigos faraós, de uma civilização que, ao contrário do que nos contam no colégio, foi esplêndida. Verdadeiro modelo de vida.
Quem sabe se possa ver também a solução para os problemas contemporâneos nos ensinamentos dos sábios antigos. Por que não? Afinal, já estamos ficando um pouco cansados da modernidade.

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